qua, 4 novembro 2026

Crítica | Medley

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Em Medley, acompanhamos Lola, uma nadadora talentosa, dona de várias medalhas, mas incapaz de executar o estilo borboleta. Marcada pela misteriosa ausência do pai e por uma relação difícil com a mãe, ela decide passar as férias sozinha na pequena cidade de Salto Bonito. Lá, ela se apaixona, faz novas amizades e se junta ao enfraquecido time de natação local. Porém, cada vez que entra na água, emoções despertam lembranças que a jovem tentou esquecer, tornando-se um desafio maior que uma competição esportiva.

Antes que seja comicamente confundido com o nome de uma famosa fabricante de medicamentos genéricos, o termo Medley também se refere uma modalidade na natação que engloba 4 estilos: borboleta, costas, peito e crawl (livre). Referenciando não só os desafios do esporte aquático, mas também as conturbadas disputas internas vividas pela protagonista Lola em sua introspectiva jornada de autoconhecimento e transição da adolescência para a vida adulta, o título do filme dirigido por Ana Luiza Azevedo foi escolhido com maestria, por justamente fazer essa associação da modalidade esportiva mais difícil dentro do nado com os sentimentos aflorados da juventude e os desafios intensos do autoconhecimento e da busca por respostas para perguntas dolorosas sobre o seu próprio passado.

Imagem: Vitrine Filmes

Existe uma suavidade presente em Medley, novo drama adolescente estrelado por Mel Maia, que se difere de inúmeras outras produções do mesmo gênero do nosso cinema. O filme parece encarar suas temáticas e batalhas internas da personagem principal Luna com uma direção que tende a apelar generosamente para a memória afetiva, sem se entregar completamente para o saudosismo, ao se ambientar no ano de 1995 e adotar um estilo narrativo simples e reconfortante tal como algumas produções que adorávamos assistir na Sessão da Tarde, com paisagens e cenários que prezam pela natureza. O filme também ostenta de sequências de nado bem filmadas, dramas familiares realmente interessantes e personagens secundários que instigam a protagonista a não se manter sempre fechada e introspectiva com tudo e todos.

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Com o roteiro baseado no seu próprio livro “Medley ou os Dias em que Aprendi a Voar”, a roteirista Keka Reis não parece ter grandes dificuldades para desenvolver o argumento, já que está altamente familiarizada com a história. Ainda assim, Medley às vezes se desequilibra no salto e mergulha dolorosamente de barriga em típicos clichês de filmes adolescentes – ora compreensíveis e até aceitáveis, que chegam a intensificar o fator nostalgia presente na narrativa -, assim como também em repetições e passagens rápidas de momentos que necessitavam de maior atenção, como a revelação da verdade sobre o desaparecimento do pai da protagonista, que poderia ter um impacto emocional maior.

Imagem: Vitrine Filmes

Medley teve muito a ganhar com o seu elenco. Temos aqui um notável carisma e a força de presença de Mel Maia em lidar com momentos de silêncio e solidão, alternando para a naturalidade em cenas de conflito com a intérprete da sua mãe Catarina, a excelente Mariana Lima, e em sequências de romance juvenil com Gabriel, interpretado pelo promissora Guthiery Sotero. Completam o elenco: André Ramiro, Leona Cavalli e Alana Cabral.

Apesar de possuir certos obstáculos, Medley se mantém firme para não se deixar afogar, fazendo um bom desempenho ao deixar se mergulhar no drama adolescente de autoconhecimento.

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Destaque

Em Medley, acompanhamos Lola, uma nadadora talentosa, dona de várias medalhas, mas incapaz de executar o estilo borboleta. Marcada pela misteriosa ausência do pai e por uma relação difícil com a mãe, ela decide passar as férias sozinha na pequena cidade de Salto Bonito....Crítica | Medley