seg, 6 julho 2026

Crítica | O Convite

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Depois de ‘Booksmart’ (2019) e ‘Não se Preocupe, Querida’ (2022), Olivia Wilde está de volta na cadeira de direção para um projeto mais “íntimo”, com o elenco composto por apenas 4 personagens, mas todos atuados por conhecidos em Hollywood: Seth Rogen, Olivia Wilde, Penélope Cruz e Edward Norton.

Joe (interpretado por Seth Rogen) chega em casa depois de seu dia corrido e descobre que sua esposa, Angela (interpretada por Olivia Wilde), marcou um jantar com os vizinhos Piña (interpretada por Penélope Cruz) e Hawk (interpretado por Edward Norton) e que será decisivo para o casamento deles.

Quem diria que fazer arte focada na própria arte resultaria em um projeto muito mais bem resolvido? Depois do divisivo ‘Não Se Preocupe, Querida’, Olivia Wilde reencontra seu cinema de uma forma mais íntima, falando de relacionamentos por um caminho muito mais simples (literalmente, devido ao modus operandi do filme), mas também construindo uma comédia mais afiada sobre um casal que precisa se reencontrar, redescobrir aquilo que perdeu… ou talvez aquilo que nunca teve.

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A partir de praticamente 1h20 dentro daquele apartamento e cercado por situações cômicas e inusitadas, conhecemos um casal que já não se conhece mais, ou que, pelo menos, passou tanto tempo vivendo no automático que esqueceu por que decidiu permanecer junto. Mesmo sem verbalizar isso o tempo inteiro, é interessante a discussão de Wilde em torno do que gosto de chamar de “amor nostálgico”: aquele sentimento que um dia foi suficiente, mas que hoje existe muito mais pela lembrança do que realmente representa. Os personagens continuam alimentando uma relação porque deixá-la para trás parece muito mais difícil do que permanecer nela. A força do filme nasce justamente dessa dinâmica. Conforme Piña e Hawk vão interagindo mais e entrando mais em cena e compartilham suas próprias experiências, Wilde amplia a discussão sobre o amor, mostrando como ele pode ser, ao mesmo tempo, profundamente bonito e completamente irracional.

O grande mérito do roteiro está em nunca transformar essas conversas em discursos. Tudo surge naturalmente através dos diálogos, dos constrangimentos e das pequenas revelações que aparecem ao longo da noite. Existe uma sensação constante de que qualquer frase pode mudar completamente a dinâmica entre aqueles personagens. A comédia funciona porque nasce da sinceridade, e não apenas das situações absurdas. O filme entende que poucas coisas são tão engraçadas quanto pessoas tentando esconder aquilo que realmente sentem.

Esse equilíbrio entre humor e drama também depende muito do elenco. Olivia Wilde conduz seus personagens com uma naturalidade impressionante, permitindo que cada um tenha espaço para expor suas inseguranças sem perder o ritmo leve da narrativa. Existe uma química muito forte entre os casais, justamente porque ninguém ali parece estar interpretando grandes arquétipos românticos. São pessoas comuns tentando justificar escolhas que, muitas vezes, elas mesmas já não conseguem compreender.

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Talvez o único momento em que o filme perca um pouco de força seja justamente quando tenta explicar demais alguns de seus conflitos. Há cenas em que a necessidade de concluir determinadas discussões acaba reduzindo parte da ambiguidade que tornava aquelas relações tão interessantes. Ainda assim, isso pouco compromete o resultado final, porque Wilde rapidamente devolve a história para o lugar onde ela funciona melhor: o desconforto das conversas, os silêncios e os olhares.

O Convite‘ Olivia Wilde transforma um simples jantar em uma reflexão divertida, melancólica e surpreendentemente honesta sobre amor, desejo e companheirismo, provando que, às vezes, bastam bons personagens e um único ambiente para dizer muito mais do que produções muito maiores conseguem alcançar.

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Rui Filho
Rui Filhohttp://estacaonerd.com
Recifense, cinéfilo e estudante de Cinema desde 2020, graduando em Publicidade e Propaganda. Apaixonado por arte, amante dos esportes, curioso sobre tudo e sempre em busca de algo novo para assistir.
Depois de 'Booksmart' (2019) e 'Não se Preocupe, Querida' (2022), Olivia Wilde está de volta na cadeira de direção para um projeto mais "íntimo", com o elenco composto por apenas 4 personagens, mas todos atuados por conhecidos em Hollywood: Seth Rogen, Olivia Wilde, Penélope...Crítica | O Convite