
O Shaolin do Sertão 2 ocorre dez anos depois dos acontecimentos do primeiro longa e volta a acompanhar Aluísio Li (Edmilson Filho) precisa resgatar sua autoestima para continuar se metendo em muita confusão na busca por suas raízes chinesas e para embarcar numa jornada repleta de novos desafios, novos valentões e novos trambiques até finalmente conseguir se tornar um verdadeiro mestre das lutas.
A produção dirigida por Halder Gomes (Bem-Vinda A Quixeramobim) é simples, mas bastante divertida! O roteiro de L.G. Bayão (Aumenta que é Rock’n Roll) constrói situações que levam o espectador a conhecer mais do sertão cearense na nova aventura do personagem de Edmilson Filho (Férias Trocadas), o que é agradável de se ver. Além disso, a justificativa para o retorno a esse universo é apresentado rapidamente e já no primeiro ato a trama já embarcamos numa viagem rumo ao auto conhecimento.

O texto de Bayão usa e abusa de gírias nordestinas e a produção (brilhantemente) insere legendas, afim de traduzir o dialeto para o público que não o conhece. Uma sacada esperta e divertida entre tantas outras que a produção de 106 minutos apresenta. Mas é inegável que boa parte das risadas vem da interação dos atores. Todo o elenco tem espaço para brilhar e todos estão mais do que afinados. A química entre o elenco é excelente. Os grandes destaques são: Edmilson Filho que retorna a esse universo, como se nunca tivesse o deixado. Falcão (Cine Holliúdy) que emenda em cada oportunidade pérolas de sabedoria divertidíssimas, Fafy Siqueira (A Sogra Perfeita 2) que rouba a cena sempre que aparece com seu carisma e o estreante João Pedro Frota que atua de igual para igual com nomes mais experientes. Por fim, Haroldo Guimarães (O Cangaceiro do Futuro), Marcos Veras (Copa De Elite) e Aya Matsusaki (Me Sinto Bem Com Você) merecem menções pelas suas atuações, em especial Matsusaki, que consegue emprestar um pouco de seriedade nas suas cenas, o que contrasta bem com o caos da situação enfrentada naquele momento.

Por mais que seja perceptível que o elenco se divertiu em cena. A produção carece de um ritmo constante. O roteiro tem uma metralhadora de piadas e as proferidas no primeiro ato acertam os alvos em cheio, sendo impossível segurar o riso. Porém, a partir da inserção de alguns elementos sobrenaturais na história, a produção entra num vale da estranheza, onde as piadas não funcionam tão bem. E como se o tema fizesse parte de outro filme e fica a sensação de que a mistura de gêneros não deu liga. Com o tempo, as coisas melhoram e a produção ganha ritmo e dinamicidade. No terceiro ato, existe algumas menções a filmes de luta e atores do gênero que são hilárias, além de outras espalhadas pela produção.
O Shaolin do Sertão 2 enfrenta alguns altos e baixos em sua narrativa, mas no geral, consegue entregar uma produção leve, divertida e muito bem feita!!! No fim, a produção alcança o seu principal objetivo: entreter. Que uma nova aventura dessa trupe não demore mais dez anos para chegar aos cinemas. O cinema de Halder Gomes sabe como encantar o Nordeste e o Brasil com suas histórias.


