sex, 25 setembro 2026

Crítica | O Sorveteiro

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Por mais que tenha essa pegada Trash que o diretor adora, sendo muito mais uma celebração dessa liberdade criativa e gore extremo, o filme se provou em sua maneira até que organizado nas ideias e execuções que vai apresentando durante a jornada. E começa de maneira bem simples e direta, ambientação da cidade e seus personagens, o sorveteiro surgindo e distribuindo o mal por toda aquelas crianças e assim criando o caos desejado por sua vingança. E fica claro essa inspiração e desejo do diretor em emular uma espécie de “Terrifier”, justamente pelo gigante foco no gore e cenas absurdas, ainda mais algumas semelhanças com o vilão quanto seu silêncio e inúmeros sorrisos por meio dos massacres.

Um sorveteiro misterioso aparece do nada e começa a distribuir picolés que transformam as crianças em monstros violentos. Em pouco tempo, a garotada perdeu o controle e começou a atacar os adultos, espalhando o caos por todo lado. No meio dessa loucura, três jovens que não foram afetados pela maldição estão tentando sobreviver. Agora, eles correm contra o tempo para descobrir quem é esse vendedor sinistro e como parar essa carnificina antes que a violência se espalhe para as cidades vizinhas e o pesadelo não tenha mais volta.

O diretor Eli Roth equilibra bem o orçamento modesto e investe nos efeitos práticos na hora de transformar o sangue e violência causado pelas crianças. Uma vez que já foi provado em filmes como “Canibais” que o uso indevido e desnecessário de CGI pode causar uma estranheza ou total falta de noção quanto sua qualidade em tela. Aqui, o cineasta performa todos os níveis de violência trash com suas vítimas, desde misturar brincadeiras infantis combinadas com os assassinatos até o humor questionável, mas de certa forma engraçado devido ao caos absoluto.

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E como quase todo filme seu, a polêmica fica justamente por conta do uso de IA em alguns momentos do filme, como nas animações sombrias usadas para lustrar a imaginação das crianças mescladas da violência causada pelo sorveteiro as controlando. É um problemas, ou melhor, o principal problema do longa justamente por inibir o uso total de verdadeiros artistas para criar uma sequência no filme, ainda mais uma animação. E não é justificativa o orçamento limitado para explicar o uso da IA, e se tornando ainda maior a saia justa justamente pelo próprio diretor ter mentido ao falar que se utilizou de artesanato para criar a animação, o que foi desmentido quando nos próprios créditos do filme existe a menção da empresa de IA.

O interessante na historia do filme é justamente ter um apelo emocional aos seu final. Por mais que seja um filme focado no trash e comédia absurda, ele constrói um clímax realmente impactante e inesperado e que de certa forma foi sendo construindo da metade até seu final. Buscando um tom mais trágico com toda a resolução de sua história.

O Sorveteiro aposta mesmo no absurdo e lida de forma bem honesta ao emplacar crianças cometendo os piores atos possíveis contra os adultos. De certa forma o uso de IA em algumas partes causa certa vergonha e desrespeito com a arte e provavelmente veremos cada vez mais essa polêmica. De forma geral, é um filme divertido dependendo do seu tipo de humor e traz uma abordagem interessante com a resolução das coisas ao seu final.

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