Crítica | O Tigre Branco (The White Tiger)

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Baseado no best-seller do New York Times, O Tigre Branco conta a história de um ambicioso motorista indiano que usa toda a sua astúcia e sagacidade para escapar da pobreza e se libertar de sua vida de servidão a patrões ricos. O longa é uma sátira sobre a sociedade indiana e uma parábola sobre o capitalismo e a consequência de uma ascensão, afinal, tudo na vida tem um preço.

Netflix/Divulgação

O filme ocorre na Índia (mas lembra muito o Brasil) e acompanha um garoto de casta pobre, muito inteligente e que sonha em sair da aldeia onde nasceu para conseguir uma vida melhor. Para isso ele bola um plano para ir para Deli e servir ao filho de um “governador” que explora sua cidade. A ascensão do garoto e o preço pago para conseguir isso, num primeiro momento lembram muito a trama do vencedor do Oscar de 2008 Quem Quer Ser um Milionário? Porém essa história é muito mais cruel. A injustiça das castas indianas, o descaso do governo com seu povo, crime, corrupção, violência e questões culturais, são o foco desse filme que é muito bem dirigido e roteirizado por Ramin Bahrani (99 Homes). O único problema da trama e que ela se alongue demais para antecipar o seu bárbaro final. Tirando essa “barriga da trama” tudo é um deleite cinematográfico da melhor qualidade.

Netflix/Divulgação

O ritmo do filme não é constante e em alguns momentos a trama acelera e se torna frenética (em especial no ato final), em outros se torna mais reflexiva e caminha lentamente, mas essa inconstâncias no ritmo serve a missão de passar o seu recado e para isso é necessário tempo. O filme nesse tempo usa de metáforas para contar sua história, a melhor e mais marcante delas é a que resume a condição do pobre ao comparar os mesmos a “galinhas num galinheiro” (uma metáfora GENIAL). Após alguns debates que quebram a 4ª parede o jovem nascido em uma casta de fabricantes de doces conclui que a atual hierarquia indiana (e porque não do mundo) é simples: temos os servos e os ricos. O roteiro aqui não romantiza a pobreza, pelo contrário, ele quase que condena essa situação e aqueles que aceitam isso. O herói da trama não é um anjo de pureza. A dualidade entre suas atitudes e as razões pelas quais ele as toma faz com que ele seja um anti-herói. O carisma do ator Adarsh Gourav (Rukh) é fundamental para que nos importemos com o protagonista e com a trama, afinal está é a história de sua vida, de sua ascensão.

Falando em atuação, todo o elenco está bem em seus papeis, os destaques são a dupla Gourav que sorri a cada humilhação sofrida com um olhar de quem segura a raiva pela situação e Priyanka Chopra (Pequenos Grandes Heróis) que é intensa no seu papel. Será um pecado Gourav não ser indicado ao Globo de Ouro ou até mesmo ao Oscar pela sua atuação neste filme.

O Tigre Branco assim como a metáfora do filme sugere é um fenômeno raro que ocorre uma vez em uma geração. Um conto sobre a dualidade do capitalismo e as suas consequências. Uma mistura de conceitos explosivos que te fará ficar impactado. Assista!

Revisão Crítica

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios.

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