Crítica | Okja

A jovem Mikha (Ahn Seo-hyun) tem um amigo pouco usual, uma “superporca” cinza com o quádruplo do seu tamanho, chamada Okja. As duas se conhecem há dez anos e sua amizade é ameaçada quando as Corporação Mirando – um odiado conglomerado de agroquímicos disposto a fazer de tudo para melhorar a sua imagem e dona de todos os “superporcos” como Okja – as separa. Para impedir que o pior aconteça com a sua amiga, Mikha conta com a ajuda de um grupo ativista da proteção de animais liderado por Jay (Paul Dano).

Começando como um filme infantil, a amizade de Mikha com Okja é explorada em cenas repletas de aventura com o senso de humor leve, focando na rotina da jovem com a criatura e estabelecendo a forte ligação entre as duas. O design de Okja ajuda a simpatizar com a criatura, pois apesar do tamanho descomunal, seu largo focinho e olhos grandes e chorosos compõem uma personagem adorável e que não hesita em salvar sua dona em situações de perigo.

A atuação central do filme, na atriz mirim de 13 anos que interpreta Mikha, é ótima. Mesmo contracenando com uma criatura inexistente no set de filmagens, ela exprime diversas emoções e, mesmo nos momentos mais intensos da trama, sua performance mantém o elemento humano ao lado de tantos personagens caricatos. O relacionamento da garota com Okja é bem explorado nas cenas iniciais, conseguindo facilmente investir o público nas desventuras que passam juntas.


Em termos puramente temáticos, perante uma mistura de ingredientes (gêneros e referências, que podem vir das animações maduras para todas as idades de Miyazaki ou Disney a outros pesos-pesados da indústria norte-americana no domínio da fusão do real com o digital como Spielberg ou Cameron; todos eles de certo modo já fizeram este filme), dá a sensação de que o realizador coreano decidiu-se ficar por um consenso simples, se contraditório. Expandindo estes conceitos, diria que Bong Joon Ho não escapa de facto à simplicidade de um panfleto dos direitos dos animais que force um final relativamente apaziguador. E com a contradição desse panfleto estar também a lutar contra algo maior, o grande “C”, que não deixa de fazer parte da dieta da equipa de produção.

Se nos abstrairmos das questões presentes no parágrafo anterior, temos uma sátira a funcionar a 80% (salvo a caricatura a romper com a rede de segurança de Jake Gyllenhaal), um trabalho de câmara chamativo que justifica a sua pompa, sobretudo no ato intermédio (busca e perseguição), e mais uma direção de fotografia do veterano Darius Khondji (Delicatessen, Se7en, Evita) irrepreensível, retratando o paraíso do lar de Mija e o mundo novo-velho cinzento e envidraçado de Nova Iorque/Seul como duas faces diametralmente opostas – fatores que por si só sinceramente mereceriam a tela mais gigante que se possa atribuir.

Nota
Uillian Magelahttps://estacaonerd.com
Co-Fundador do Estação Nerd. Palestrante, empreendedor e sith! No momento, criando meu sabre de luz para cortar a lua ao meio. A, SEMPRE escolha a pílula azul. Não faça como eu!

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