qui, 20 agosto 2026

Crítica | Pressão

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Em seu primeiro longa em oito anos, Anthony Maras dirige um elenco estrelado sobre um tema pouco lembrado da Segunda Guerra Mundial: a importância dos meteorologistas. Focado no Dia D e acompanhando a vida de James Stagg, o diretor conta com elenco estrelado de Andrew Scott, Brendan Fraser e Kerry Condon.

Faltando poucos dias pro Dia D, o General Eisenhower (interpretado por Brendan Fraser) convoca um dos meteorologistas mais geniais do Reino Unido, James Stagg (interpretado Andrew Scott) para prever o clima e preparar a maior operação anfíbia da história militar.

Eu vejo uma influência positiva de ‘Oppenheimer’ (2023) no gênero de filmes de guerra como este quando vemos muitas imagens sugestivas buscando uma maior associação com James Stagg e o drama que ele tem passado pela sua esposa grávida e pelo clima tenso dentro do exército britânico. Anthony Maras respeita os silêncios, assim como respeita a presença de tela de Andrew Scott para dar profundidade ao seu personagem. A cena da chuva acaba sendo o belo exemplo dessa associação e de como a obra vai intercalar o psicológico do personagem com a ordem fria da guerra.

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Por outro lado, alguns desenvolvimentos de personagens secundários acabam atrapalhando bastante sobre o filme e sobre sua ideia, principalmente por eles aparecerem apenas para criar um drama de filme de guerra básico e simplista, como toda a relação entre o personagem de Brendan Fraser e de Kerry Condon. Talvez por contrato dos atores, talvez por exigência de produtores/estúdio, mas a visão de Maras é construir o filme em torno de James Stagg e seu psicológico, mas os personagens secundários, quando há uma cena sem Scott em cena, ficam meios vastos naquele contexto.

Créditos: Universal Pictures Brasil/Focus Features

Essa diferença fica ainda mais evidente quando o filme precisa sair da cabeça de Stagg e voltar para o funcionamento burocrático da guerra. ‘Pressão’ encontra seu melhor momento quando transforma o clima em uma extensão do personagem, mas perde parte dessa força quando precisa explicar demais os conflitos ao seu redor. Existe uma tentativa de criar tensão através das discussões entre os militares, das diferentes previsões sobre o tempo e da pressão sobre Eisenhower, mas nem sempre essas situações possuem a mesma força dramática que Andrew Scott consegue construir apenas com um olhar. É quase como se o filme soubesse exatamente qual é sua melhor história, mas tivesse medo de permanecer nela em tela por tempo demais.

E isso também aparece na própria construção do suspense. Sabemos historicamente qual é a importância daquela decisão e sabemos que o Dia D vai acontecer, então a tensão não poderia estar necessariamente no “o que vai acontecer”, mas no “quando” e principalmente no peso de decidir. Nesse sentido, o filme encontra algumas soluções muito boas, transformando mapas, relógios, previsões meteorológicas e a própria chuva em elementos de suspense. A guerra aqui não está nas praias da Normandia (ainda), mas dentro de uma sala, em conversas entre homens que precisam decidir se milhares de outros homens vão morrer. É uma ideia muito interessante, mesmo que Maras nem sempre consiga extrair dela todo o potencial.

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A fotografia também trabalha bem essa oposição entre o indivíduo e a máquina militar. Quando o filme está próximo de Stagg, existe uma maior preocupação com sombras, silêncios, espaços vazios e pequenos gestos. Quando estamos diante do exército, tudo parece mais rígido, organizado e frio. A diferença poderia ser ainda mais explorada, mas funciona principalmente porque Scott consegue carregar uma boa parte do peso emocional do filme sozinho. É uma atuação baseada muito mais na contenção do que na explosão, e talvez por isso a cena da chuva seja tão importante dentro da obra. Não precisamos necessariamente ouvir Stagg explicar aquilo que está sentindo, porque a imagem já encontrou uma maneira de fazer isso.

‘Pressão’ é um filme de guerra competente, mas que encontra seus melhores momentos quando abandona o convencional para observar o peso psicológico de uma decisão que poderia mudar o rumo da história. Anthony Maras nem sempre consegue sustentar essa proposta, principalmente quando se distancia de James Stagg, mas Andrew Scott dá ao filme uma força silenciosa que transforma seus melhores momentos em algo realmente marcante.

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Rui Filho
Rui Filhohttp://estacaonerd.com
Recifense, cinéfilo e estudante de Cinema desde 2020, graduando em Publicidade e Propaganda. Apaixonado por arte, amante dos esportes, curioso sobre tudo e sempre em busca de algo novo para assistir.
Em seu primeiro longa em oito anos, Anthony Maras dirige um elenco estrelado sobre um tema pouco lembrado da Segunda Guerra Mundial: a importância dos meteorologistas. Focado no Dia D e acompanhando a vida de James Stagg, o diretor conta com elenco estrelado de...Crítica | Pressão