qui, 22 outubro 2026

Crítica | Primetime

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Ambientada em 2006, a trama acompanha o jornalista Chris Hansen (Robert Pattinson), um homem ambicioso determinado a salvar sua emissora da falência iminente e alcançar o estrelato televisivo. Ele idealiza e comanda uma operação jornalística de emboscadas ao vivo para atrair, confrontar e expor predadores sexuais virtuais no horário nobre americano.

Em Primetime tudo fica curioso justamente por acompanharmos essa natureza bizarra e chamativa do programa comandando por Chris Hansen, “To Catch a Predator”. Desde a escolha de atores para fingirem serem crianças até o estilo de abordagem quase profética que o apresentador encaixa para pegar de surpresa suas “vítimas”.

Os anos 2000 são marcados por uma mudança intensa na televisão, quase uma morte da inocência, muito por conta do 11 de setembro que marcou o início do século e causou uma onda de paranoia no país. A representação absurda daquele programa aos poucos conquistando a América e se tornando um “Juiz, Júri e Executor” da televisão, tudo isso leva ao enxergarmos a boa intenção daquelas pessoas justificada por caçar criminosos pedófilos na internet, mas um esquema tão absurdo e sensacionalista que é difícil não chocar até seu final.

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Todos os participantes acreditam no programa, desde o apresentador Chris Hansen e seus ensaios repetindo as falas e gestos criminosos que aqueles homens escreveram na internet até sua entrada orquestrada no melhor estilo showman da televisão, um verdadeiro delírio de salvador moral e pira vaidade. Até seus codjuvantes, a produtora Andie Vender, interpretada por Merritt Wever, e seu desejo por fazer história e mesmo com bússola moral pesando, suas ideias ganham mais escalas. Temos o arco do personagem Dan Plum, vivido por Skyler Gisondo, cuja batalha para se tornar um ator reconhecido é posta em teste ao viver realmente sua interpretação mais desafiadora e o colocando na maior bússola moral do filme.

E o que aumenta mais a intensidade do filme é obviamente seu visual e um arsenal de cores estourando na tela. Combinando perfeitamente com a saturação alta do filme, as cores explodem, vibram. É um contraste alto que deixa aquele ar sombrio e pesado de uma forma quase lúdica devido as cores absurdas. É um Robert Pattinson no fundo de um estúdio de gravação e um roxo estourado ao seu lado, quase uma presença o acompanhando. São takes de noite que um azul magnético acaba liderando aquela paisagem, é algo sensorial, e conforme acompanhamos a estrutura de pensamento daquele apresentador e sua vivência, todo aquele exagero de cores e atmosfera só engrandece.

Se o filme parece não possuir um propósito além de retratar aquele auge televisivo sensacionalista é porque de fato ele é um pouco raso em sua bússola moral. Apenas mais retrata aquela dúvida dos personagens do que propriamente as desenvolve para algo num leque maior. Até mesmo o casamento em risco de Chris e suas infidelidades são mais uma comida extra sem sabor do que propriamente algo tão interessante quanto o principal do filme, ele serve claro para desestabilizar o protagonista, mas o impacto não é o bastante devido o pouco mostrado de sua vida pessoal.

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Primetime é um festival de cores e atmosfera, além de um retrato bizarro de um dos auges mais interessantes da televisão nos anos 2000. São pessoas que construíram um verdadeiro show e que acreditam fielmente em etapas e mais etapas para alcançarem aquele almejo de expurgar o mal na América. Ou nas palavras de Chris: ” O que teria acontecido se eu não estivesse aqui?”.

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