Crítica | Querido Evan Hansen

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O coreógrafo Bob Fosse, uma vez disse que “o momento para se cantar é quando o seu nível de emoção é muito alto para apenas falar, e o momento de dançar é quando suas emoções são muito fortes para apenas cantar sobre como você se sente.” Essa simples frase representa a essência de um filme musical ou pelo menos serve como ponto de partida para entender este gênero. O primeiro musical produzido no cinema foi O Cantor de Jazz, em 1927, e de lá para cá o estilo se popularizou e, desde então, diversas obras foram lançadas conquistando a crítica e o público. Chega aos cinemas nessa quinta-feira (11) Querido Evan Hansen, filme da Universal Pictures que adapta para os cinemas, o musical de mesmo nome que foi um sucesso na Broadway.

Infelizmente o que funcionou no teatro, não funciona nos cinemas e o filme é um fiasco de proporções colossais. A produção é baseada no livro escrito por Steven Levenson que conta a história de Evan Hansen, um adolescente que sofre de ansiedade. O terapeuta do garoto pede que ele escreva cartas para si mesmo, com o intuito de expressar seus sentimentos. Quando um colega de classe de Evan, rouba uma dessas cartas, a vida de Evan vira de cabeça para baixo e um simples mal-entendido se transforma em uma enorme mentira, de proporções gigantescas. 

Foto: Erika Doss/Univers – © 2021 Universal Studios. All Rights Reserved.

A primeira grande falha de Querido Evan Hansen é a construção do personagem título, afinal devemos nos importar com o protagonista ou pelo menos a trama pede com que o espectador se importe, mas a construção do personagem pelo roteiro escrito por Steven Levenson (Tick, Tick… Boom! e autor do livro) é terrível. Evan é retratado de modo que não conquista a simpatia do público e as suas atitudes, mesmo que feitas sem querer, mostram que ele é um ser humano maquiavélico o que não ajuda. Como se importar com alguém que não liga para os sentimentos dos outros, nem com o esforço da própria mãe? Para piorar o jovem adolescente é interpretado por Ben Platt (de 28 anos). O ator repete seu papel no teatro e sua interpretação como adolescente é um fracasso. Temos um homem adulto fingindo ser um garoto com a metade da sua idade, outro ator seria melhor no papel. Mas acredite, Platt é o menor dos problemas do filme que usa de músicas para contar uma história que não comove e força a barra o tempo, querendo claramente manipular o espectador para que ele se emocione.

Além disso, elementos como figurino, cenário e localidades soam sem vida e pouco acrescentam a história e aos personagens. A direção de Stephen Chbosky (As Vantagens de Ser Invisível) trabalha com o que o roteiro oferece e se prejudica pela superficialidade do material. Para o teatro o que temos funciona, mas no cinema é preciso adicionar camadas a trama, aos personagens e preencher as lacunas da história. O diretor opta em captar a atuação do seu elenco, achando que isso é suficiente, além de usar de elementos pontuais para tocar o espectador, sem desenvolver temas importantes da sua trama: como o bullying, suicídio e depressão. Esses tópicos são mostrados mas nunca tem o aprofundamento devido e nem são tratados com a sensibilidade necessária.

As canções são ruins e são encaixadas na história com a sutileza de um touro numa loja de porcelanas. Apenas em dois momentos elas são apresentadas de modo fluído, sem atropelos e conseguem emocionar. Mas na maior parte do tempo elas são enfadonhas ou extremamente constrangedoras. A cena na qual o personagem de Plat imagina o conteúdo dos e-mails é terrível e de um mal gosto que não tem justificativa para acontecer.

Foto: Erika Doss/Univers – © 2021 Universal Studios. All Rights Reserved.

Os melhores momentos da trama, são os mais simples. É onde temos uma conversa ou uma troca de olhares sem canção e sem invencionices. O elenco atua bem, o problema se dá nas cantorias. Alguns atores deixaram a desejar nesse quesito. Das atuações os destaques são Amandla Stenberg (Mentes Sombrias) que tem a personagem menos egoísta da trama e Julianne Moore que vive a mãe solteira de Evans que se mata para dar o melhor ao filho, mesmo que ele não perceba seus esforços. São em suas cenas que temos os poucos lampejos de qualidade dessa obra.

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Querido Evan Hansen é uma combinação estranha de temas e não disfarça em momento algum seu senso manipulador para contar uma história vazia de sentimentos e empatia. Repleta de canções sem brilho e performances vocais pra lá de esquecíveis o filme ainda pode agradar algumas pessoas, mas não recomendo esse filme a ninguém.

Revisão Crítica

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]

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