A DC continua na sua busca em retomar prestígio nos cinemas após a chegada de James Gunn na direção criativa e de alguns projetos bagunçados e confusos nos últimos anos, ainda que tenham tido alguns sucessos também. Após o sucesso de ‘Superman’ (2025), agora foi adaptar outra HQ famosa de Krypton: Supergirl. Estrelado por Milly Alcock, que possui uma carreira bem recente, e dirigido por Craig Gillespie, conhecido por filmes como ‘Eu, Tonya’ (2017), ‘Cruella (2021) e ‘Lars e o Verdadeiro Amor’ (2007).
Tentando viver uma vida tranquila e com muito alcóol, Kara (interpretada por Milly Alcock) é surpreendida com a chegada de Ruthye (interpretada por Eve Ridley), que perdeu seus pais e busca vingança contra os Bandoleiros e agora saem juntas em busca de justiça.
O gênero de super-heróis no cinema chegou a um ponto curioso: ele ainda consegue movimentar grandes públicos, mas a sensação de novidade parece cada vez mais distante. Depois de mais de uma década dominando o mercado, especialmente após o auge construído pelo Universo Cinematográfico da Marvel e encerrado simbolicamente em ‘Vingadores: Ultimato’ (2019), a fórmula ficou extremamente reconhecível para qualquer filme do tipo. E ‘Supergirl’ acaba caindo nesse problema. Não é um filme necessariamente ruim, mas ele é uma obra que deixa muito claro como o próprio gênero já conhece todos os seus caminhos. A chegada de James Gunn como uma das principais figuras criativas da DC trouxe uma tentativa de renovação para o universo cinematográfico da editora. Porém, ao mesmo tempo que existe uma nova identidade sendo construída, também existe uma nova fórmula que o próprio James Gunn criou. O filme segue exatamente aquela estrutura típica: uma mistura de humor, ação, personagens excêntricos, momentos emocionais e uma trilha sonora repleta de músicas marcantes tentando criar uma personalidade própria. O problema é que, para quem acompanha filmes de super-heróis há muitos anos, essa estrutura já parece familiar demais. E isso não significa que o filme seja uma experiência ruim. Existe um ritmo interessante, uma energia divertida e uma tentativa clara de fazer algo mais irreverente com a personagem. O problema é que ele raramente surpreende. A sensação durante boa parte da projeção é de estar assistindo a algo que já foi visto diversas vezes antes, apenas com novos personagens e uma nova embalagem.

Um dos grandes destaques do filme está na sua fotografia. Existe uma preocupação visual em criar um universo menos limpo, mais desgastado e com uma atmosfera que combina com a trajetória emocional da protagonista. A imagem não parece apenas querer mostrar poderes ou grandes cenários, mas também traduzir o estado interno da personagem. A própria estética do filme ajuda a construir uma sensação de solidão, de alguém tentando encontrar seu espaço dentro de um mundo que não parece preparado para ela. Além disso, a montagem funciona melhor nos momentos mais íntimos. As cenas de diálogo conseguem transmitir melhor o peso emocional da história, principalmente quando o foco está nos conflitos pessoais da protagonista. Existe uma tentativa de olhar para Supergirl não apenas como uma heroína, mas como alguém carregando questões internas, tentando lidar com sentimentos de pertencimento, identidade e responsabilidade. O problema aparece principalmente quando o filme precisa abraçar o lado mais tradicional do gênero: as cenas de ação. Os combates possuem uma montagem extremamente acelerada, com cortes constantes que acabam prejudicando a compreensão do que está acontecendo. Em vez de criar impacto ou transmitir a força dos personagens, a edição muitas vezes parece esconder a própria ação. Existe uma dependência daquela linguagem já comum nos filmes atuais, onde a câmera se movimenta o tempo inteiro, mas sem necessariamente construir uma sensação de grandiosidade. Os efeitos visuais também apresentam momentos inconsistentes. Algumas escolhas parecem existir apenas para criar um impacto momentâneo, mas sem acrescentar muito à narrativa. O próprio clímax do filme utiliza recursos como câmera lenta de uma forma que parece mais preocupada em criar uma imagem “marcante” do que realmente construir emoção.
Ainda assim, existe uma qualidade interessante em como ‘Supergirl’ entende o tipo de filme que quer ser. Ele não tenta desconstruir completamente o gênero, nem apresentar uma nova linguagem para histórias de heróis. Ele aceita a fórmula e trabalha dentro dela. A questão é que, em 2026, apenas executar bem essa fórmula talvez já não seja suficiente.
‘Supergirl’ é até surpreende com boas ideias visuais e momentos de personalidade, mas também é uma prova de como o sub gênero de super-heróis chegou a um nível de saturação máxima, algo que já notamos há muito tempo.. Para quem acompanha esse tipo de produção há anos, é difícil não sentir que está assistindo novamente a uma história conhecida, com os mesmos ingredientes reorganizados. É divertido, possui seus méritos, mas falta justamente aquilo que fez esses filmes conquistarem o público no passado: a sensação de estar vendo algo novo.


