Crítica | Tempo de Caça

Tempo de Caça é mais um filme da excelente safra coreana de produções, que só não foi vista no cinema devido a pandemia de corona vírus. Sorte nossa que a Netflix adquiriu esta produção repleta de tensão e violência e já disponibilizou a mesma no seu serviço de streaming.

O longa acompanha quatro jovens que não tem nada a perder e decidem pôr em prática um plano de roubo: assaltar uma casa ilegal de apostas e com o dinheiro fugir em busca de paz e tranquilidade. O crime dá certo, só que os donos do lugar entram em contato com um cruel assassino, que começa a perseguir os garotos prometendo parar apenas quando acabar com cada um deles. Assim como Parasita, Tempo de Caça também misturas gêneros afim de debater sobre os problemas da Coreia do Sul, o foco das obras também é parecido: o debate sobre a desigualdade social. Os longas possui diferenças Parasita debate os problemas no presente, enquanto Tempo de Caça debate os problemas num futuro pós crise econômica (a obra não explica o que houve, mas mostra uma Coreia devastada).

O longa dirigido por Yoon Sung-hyun (Boys) inicia sua trama construindo camadas. Primeiro apresenta o ambiente distópico no qual a trama se passa, somos inseridos nele a partir de belos planos aéreos que mostram um país abandonado, repleto de pessoas marginalizadas e esquecidas. Feito essa inserção no ambiente, o longa nos apresenta os protagonistas. Construindo assim a sua segunda camada: a de filme de assalto. Aqui reside um “problema” no roteiro, o tempo gasto nessa etapa são de quase 40 minutos, aqui reveladas as relações entre os protagonistas, a motivação do plano e a elaboração do assalto, um tempo dessa etapa poderia ser cortada, mas se você não se importar mal a história não fará. O tempo entre planejamento e ação pode cansar, mas a espera é válida. Concluída somos levados a terceira etapa: o assalto.


A cena do assalto e conduzida com maestria, mostrando a inexperiência dos envolvidos e nos fazendo temer por eles, afinal qualquer deslize e tudo irá por água abaixo. Terminado o roubo, mais um personagem é inserido e com ele a última camada. Aqui é onde reside toda a violência e tensão. um criminoso/serial killer profissional é colocado para caçar os jovens. Ele faz o que faz não por ser pago ou por eles saberem de algo que irá lhe incriminar, mas por diversão, puro prazer de matar. Sung-hyun consegue unir as 4 camadas (quando ver camada, leia gêneros cinematográficos) em um único filme, saindo de um gênero para outro com maestria e de modo orgânico. A fotografia baseada em tons avermelhados serve como sinal de alerta para a confusão que os jovens se meteram e acrescenta mais ainda tensão a situação. As cenas do roubo e a que se passa num estacionamento, são de deixar qualquer um com, desculpem o termo, o c* na mão.

O elenco está maravilhosamente bem, o quarteto protagonista representa uma amizade genuína e convence em seus papéis, é difícil escolher apenas um destaque nesta trama. O assassino misterioso interpretado por Jo Sung-ha (Memorist) impõe medo sem falar nada, um trabalho muito bem executado pelo ator. Outro destaque do filme é a trilha sonora embalada pelo hip hop coreano.

Tempo de Caça é a prova de que o cinema feito na Coreia do Sul possui muita qualidade e que o Oscar de melhor filme que Parasita ganhou não foi um caso de sorte, mas sim de talento. Misturando gêneros Yoon Sung-hyun conseguiu criar mais uma obra singular para o cinema, trazendo uma trama que trata sobre amizade, violência e sobrevivência.

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios.

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