Crítica | The Lodge (O Chalé)

Severin Fiala e Veronika Franz são dois diretores austríacos, que fizeram bastante barulho ao dirigir o terror psicológico Boa Noite Mamãe, em 2014. Cinco anos se passaram e eles se aperfeiçoaram, evoluíram e o resultado de todo esse amadurecimento pode ser visto em The Lodge (O Chalé), um dos melhores terrores de 2020. Se prepare para um longa hostil, perturbador e acima de tudo um quebra cabeça inquietante.

The Lodge conta a história de duas crianças que passam a noite em um chalé, nas montanhas de um isolado vilarejo, junto da namorada de seu pai. Uma nevasca acaba deixando-os presos na casa e forças sobrenaturais passam a aterrorizá-los. Aviso: cuidado com as primeiras impressões, nada aqui é o que parece. O primeiro projeto da dupla focou num terror psicológico visto através de pessoas frias e sem qualquer empatia com o próximo, neste filme a dupla inverte a proposta mostrando que também é possível fazer um terror com pessoas sentimentalistas. Não detalharei mais sobre que sentimentos para não entregar o ouro e estragar a sua experiência, mas fique atento a esse detalhe.

No quesito técnico os diretores usam e abusam de planos feitos com a câmera fixa. A intenção aqui é gerar um certo incômodo, proposital, no espectador. Pois o mesmo fica sem saber o que vem a seguir, de onde vem a ameaça, qual é a ameça. Tudo visto aqui é dúbio, incerto e repleto de incógnitas. Quando a trama apresenta as resoluções para todas as duvidas apresentadas o resultado é aceitável e crível, porém pode não agradar, mas nada que diminua a qualidade deste longa. É possível sentir o isolamento que os personagens passam ao analisar os planos fechados em cada um deles, a hostilidade é vista nos diálogos e gera desconforto nos personagens e no espectador. Para completar a fotografia gélida do local em contraste com os tons amadeirados da casa que é o “único refúgio” encanta, os itens religiosos espalhados na casa dão a sensação de que a todo momento o local está sendo amaldiçoando e não protegido. Esses elementos criam o clima perfeito para este terror.


O ponto baixo da obra é o seu final que ocorre num ritmo lento e que causa estranheza por sua letargia, no inicio da obra ela é aceitável e até necessária para que consigamos compreender os personagens, suas motivações e entender o que está acontecendo. Mas no fim? Naquela situação? Soa estranho e pra lá de inverosímel. As atuações são ótimas, Riley Keough (Logan Lucky) se entrega ao filme de corpo e alma, Lia McHugh (Os Eternos) e Jaeden Martell (It – Capítulo 2) convencem como irmãos. As ações desse trio protagonista e suas consequências são o ápice desta obra.

The Lodge (O Chalé) é um prato cheio para os fãs de um terror psicológico. Segundo aviso: está não é uma obra para todos. Se você quer apenas levar susto atrás de susto, passe longe. Caso contrário, venha e tenha uma experiência única, com um dos melhores filmes de terror do ano.

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios.

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