seg, 19 outubro 2026

Crítica | Vicentina Pede Desculpas

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O diretor Gabriel Martins faz um exercício avassalador sobre o luto e a compaixão humana. Fato é que “Vicentina Pede Desculpas” já possui um início marcado por uma tragédia que vai dar o gatilho para todo o restante do filme, e ao longo de seus 148 minutos, o diretor vai explorar uma humanidade impressionante da personagem vivida por Rejane Faria, Vicentina.

Em Belo Horizonte, Wesley (Renato Novaes) dirige um ônibus lotado que perde o controle ao cruzar um viaduto e despenca na avenida abaixo. O acidente mata quase todos os passageiros, incluindo Wesley.
Com a repercussão na mídia e análises de imagens sugerindo que o motorista pode ter agido intencionalmente (em um aparente suicídio), sua mãe, Vicentina, uma professora aposentada de 75 anos — fica devastada. Tomada pela dor e pela culpa, ela decide procurar pessoalmente as famílias das vítimas para pedir desculpas, enfrentando os limites do luto, da empatia e do perdão.

É um filme que consegue ser muito simples e muito complexo no encaminhamento de sua história. Enquanto ele basicamente prática um mesmo exercício quanto a jornada de Vicentina procurando familiares das vítimas para se desculpar pelo ocorrido, ele também apresenta uma complexidade a respeito do impacto daquele acidente em diversas vidas. A dona Vicentina juntamente com o público acabam basicamente entrando em uma porta que leva a outra porta e vai se revelando uma complexidade sobre as escolhas e tratamento que levamos a vida que basicamente moldam nosso destino.

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Uma das coisas mais interessantes no longa é esse encaminhamento que Vicentina acaba questionando sobre o modo como ela e sua família criaram seus filhos, ela mesmo questiona talvez uma falta de um “Eu te amo” mais frequente. Em uma cena com sua sobrinha, ela pergunta honestamente o que ela acha do modo que foram criadas, suspeitando que aquilo impactou negativamente seu filho e consequentemente o levou a tomar certas atitudes, ela responde de maneira sincera que faltou um amor mais direto, citando que aprendeu a dizer que ama com suas amigas. Esses desdobramentos são de uma humanidade gigantesca com o filme, é uma fragilidade que encanta e emociona com todos os seus personagens.

O longa possui uma compaixão e uma humildade com sua estrela, Vicentina, mas também uma dor avassaladora sobre o luto. Sobre os impactos e diferentes visões que pode causar para as pessoas que permanecem depois da tragédia. Então o filme vai trabalhar desde a dor de perder um filho até um alívio de alguém perder uma pessoa que não era boa. E além disso desdobramentos fortes sobre a culpa e responsabilidade, é uma honestidade tão grande nos gestos e esse luto coletivo que o filme deixa claro que é algo eterno, nunca vai ser esquecido ou apagado.

E a grande responsável por carregar esse luto e compaixão é a Rejane Faria. Uma atuação marcada pelo olhar, pela delicadeza da voz, por carregar apresentar com sua personagem uma mentalidade de culpa que nunca é propriamente respondida pelo filme, mas se revela um ato gigantesco de humanidade e amor coletivo.

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Deste modo, o longa acompanha um exercício que é repetitivo durante seus 148 minutos, ele em alguns momentos perde um pouco fôlego ou interesse, porém por conta das boa atuações ele rapidamente te fisga por algum novo desdobramento sobre o luto. Martins alcança um dos filmes mais humanos de 2026 e um das melhores atuações também, fora isso, uma produção excelente quanto sua ambientação e natureza tão familiar de nosso país.

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