Crítica | You (Você) – 3ª Temporada

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Na 3ª temporada de You, Joe e Love, agora casados e criando seu bebê, mudaram-se para o agradável enclave de Madre Linda, no norte da Califórnia, onde estão cercados por privilegiados empreendedores de tecnologia, mães blogueiras julgadoras e biohackers famosos do Instagram. A nova temporada já estreou na Netflix e trouxe algumas novidades, mas será que elas justificam a renovação da produção para uma quarta temporada? Confira aqui a resposta.

Não, mas nem tudo é ruim. Nas duas temporadas anteriores, vemos Joe narrar a história – emitindo sua real opinião sobre os fatos – e o seu instinto de querer ajudar ao próximo, mesmo que isso acabe terminando mal. A nova temporada segue focada no carismático stalker e assassino, repetindo os acertos das temporadas anteriores, o que ainda funciona e faz com que torçamos pelo bandido. Mas mesmo entre alguns tropeços, a série consegue se reinventar e surpreender ao (re)contar a história de um homem que busca, de modo doentio, o amor ideal. Mesmo com algumas novidades é preciso ser honesto e confessar que a trama é cansativa. A narrativa do terceiro ano não quer apenas que torçamos por Joe, mas quer também que a gente conheça a fundo o personagem, numa tentativa de humanizar o “monstro”. O personagem nas temporadas anteriores, mostrou ser alguém que busca nas mulheres prazer e uma boa companhia, mas que irá machucá-las ou matá-las se for preciso. A nova temporada, quer que esqueçamos disso, e tenta humanizar o personagem a todo custo, o que é um pecado, a final a obra pouco oferece elementos para mudar essa impressão e flerta perigosamente com a romantização de atos tão perversos.

Para tentar suavizar as situações já executadas por Joe, o roteiro da série coloca neste novo ano Love, vivida por Victoria Pedretti, como o grande problema da história. Ela é impulsiva e isso faz com que o casal se meta em diversas roubadas por culpa dela, sendo o personagem de Penn Badgley, “um salvador da pátria” que faz o que faz, não por querer, mas sim para proteger a amada e o seu filho. Se prepare para um banho de sangue, o maior já visto na série e 90% dele causado pelo ciúme doentio de Love em relação as pessoas que cruzam ou ameaçam o seu casamento. As mortes são não tão criativas e as resoluções encontradas pelo casal, possuem alguns furos, mas no fim funcionam e são críveis.

O enredo do programa coloca o mundo ao redor de Joe como prejudicial e malicioso. Todas as vítimas são apresentadas como pessoas desprezíveis. Como por exemplo, o vizinho que é uma pessoa que defende a não vacinação e que acaba contaminando o filho do casal com sarampo. A sacada sutil da série, nessa breve crítica ao momento que vivemos, mostra que a reação de Love é compreensível (a raiva, não a violência), mas ao criar situações desse tipo, o tempo todo, para justificar as ações do casal, o roteiro não joga limpo e exige muita boa vontade do espectador para comprar a história.

Netflix/Divulgação

As atuações são ótimas e a química entre os protagonistas é o ápice da série. A atuação de Penn Badgley é boa, mas o personagem nesse novo ano está mais discreto em suas ações. Victoria Pedretti (A Maldição da Residência Hill) é a dona dessa temporada, ela é complexa, rancorosa, apaixonante e perigosa. Suas cenas são as melhores e ela rouba a cena. O restante do elenco serve como escada para que Pedretti e Badgley se destaquem e carreguem a temporada nas costas, se não fosse a química e carisma de ambos, as coisas poderiam ser bem piores. Dos episódios os dois primeiros e o último são os que possuem as maiores reviravoltas e acabam sendo os melhores pela dinâmica construída. Talvez dois episódios a menos deixasse a trama menos arrastada e mais fluída narrativamente.

You continua sendo interessante, mas apresenta sinais de cansaço por sua mania de justificar, o injustificável. O final promete uma mudança de ares, para a quarta temporada, que pode funcionar e trazer a trama de volta aos trilhos. Torçamos para que isso aconteça, pois às vezes no amor (e nas séries), é preciso agitar as coisas para não cair no completo marasmo.

Revisão Crítica

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]

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