A maneira como os brasileiros descobrem música mudou — e, com isso, a forma de construir o próprio gosto também. Hoje, as recomendações automáticas ocupam um papel central nessa jornada: ao mesmo tempo em que ampliam o acesso, levantam uma dúvida cada vez mais presente — até onde a escolha é realmente individual?

Essa é uma das conclusões do estudo “Reset da Mesmice”, realizado pela Heineken® em parceria com a Box1824. O levantamento, que dá sequência à campanha “Algoritmo”, propõe uma reflexão sobre o impacto das bolhas digitais e da previsibilidade nas experiências culturais. Atualmente, 60,9% dos entrevistados apontam plataformas como Spotify, YouTube e TikTok como principal porta de entrada para descobrir músicas. Ainda assim, 49,2% afirmam já não conseguir separar com clareza o que faz parte do seu gosto do que foi sugerido por essas ferramentas.

Os efeitos vão além do consumo e começam a tocar a própria percepção de identidade. Um em cada quatro brasileiros acredita que seus gostos estão ficando mais genéricos, enquanto 70% dizem ter perdido o hábito de explorar novas músicas sem algum tipo de mediação. O cenário indica um certo desgaste diante da repetição e da sensação de estar preso a escolhas cada vez mais guiadas.
“Quando a recomendação vira regra, a exploração perde espaço e o consumo entra no automático. O algoritmo ajuda a organizar o excesso de opções, mas também limita o encontro com o inesperado, o que impacta diretamente a construção do gosto e da identidade”, explica Francisco Formagio, estrategista criativo e pesquisador de comportamento da Box1824.
Em contrapartida, as experiências ao vivo seguem com um peso diferente. Para 46,5% dos entrevistados, shows oferecem um tipo de energia e conexão coletiva que não pode ser replicado digitalmente. Além disso, um em cada quatro brasileiros vê nos festivais uma oportunidade real de descobrir novos sons fora da lógica das recomendações. É nesse contexto que iniciativas como o Heineken No Line Up reforçam a curadoria humana, apostando em encontros inesperados e abrindo espaço para descobertas mais espontâneas.

Os dados também mostram um movimento de ajuste nesse comportamento. Hoje, 31,1% dos brasileiros consideram reduzir a dependência de algoritmos uma prioridade para o próprio bem-estar no próximo ano, indicando uma busca mais ativa por autonomia no consumo cultural.
Para Igor de Castro Oliveira, diretor de marketing do Grupo HEINEKEN Brasil, a relação com a música vive um momento de virada. “A música sempre foi um território de descoberta e expressão individual. Quando esse processo se torna automatizado demais, parte dessa construção se perde. O que começa a aparecer agora é um desejo de voltar a explorar e se abrir ao novo”, afirma.
Mais do que apenas consumir, cresce entre os brasileiros a vontade de se reconectar com a música de forma mais livre, menos previsível — e, principalmente, mais autêntica.


