
Com direção e roteiro de Lucia Murat (“Hora do Recreio”), “O Sertão das Nossas Memórias” tem cartaz e teaser oficiais divulgados pela produtora Taiga Filmes e a distribuidora Imovison, que cuidará do lançamento nos cinemas. O filme terá estreia mundial no Festival do Rio 2026 nesta sexta-feira (2) e disputa o Troféu Redentor na mostra da Première Brasil: Competição de Longas-metragens Documentário. A produção é um road movie que reúne três sobreviventes da ditadura militar — a própria Lucia Murat, Paulo Jabur e João Lopes Salgado — para revisitar o massacre da década de 1970 que assassinou o capitão Carlos Lamarca, considerado inimigo público número um da ditadura, e Zequinha, líder operário e integrante da luta armada. A partir de conversas informais, o trio, militantes na faixa dos 80 anos, sai do Rio de Janeiro e vai até o sertão da Bahia em busca dessa memória e da realidade atual da região. Assista ao tease:
O longa também destaca a atuação da população de Pintada e de Brotas de Macaúbas, cidades da Bahia onde ocorreram a tragédia. Após anos de esquecimento e medo, eles passaram a realizar uma missa e uma romaria anual em homenagem à Lamarca e Zequinha no dia 17 de setembro, data em que eles morreram e que, posteriormente, se tornou feriado nos locais.
Lucia explica como se deu o processo de filmagem do filme: “Decidimos não fazer entrevistas formais, mas irmos registrando as memórias de ex-militantes, entre os quais me incluo, durante o trajeto, através de conversas informais. Nisso, fomos ajudados pelo diretor de fotografia, Dudu Miranda, que criou uma estrutura que permitiu que a câmera trouxesse ao documentário o tom de intimidade que faz o espectador se sentir parte da história”.
“O Sertão das Nossas Memórias” reúne materiais de arquivos, fotos, manchetes de jornais, cartazes e vídeos da época para reconstituir uma das histórias mais surpreendentes e pouco conhecidas da resistência à ditadura no Brasil.
“Contamos essa história mantendo o clima de suspense que ela comporta. Ao mesmo tempo, a surpreendente realidade de hoje, com missas e romarias, faz o contraponto pela participação democrática ao clima de tensão dos anos 70”, explica Lucia.


