“Os Sertões”, clássico de Euclides da Cunha sobre a emblemática Guerra de Canudos, está prestes a ganhar uma adaptação cinematográfica. As produtoras Matizar Filmes e Bubbles Project anunciam Selvajaria, coprodução internacional entre Portugal, Brasil, França, Itália e Holanda, que terá a direção do consagrado cineasta Miguel Gomes (“Grand Tour”).
Atualmente em produção em Canudos, na Bahia, o filme retratará o conflito armado entre o Exército brasileiro e os camponeses comandados pelo líder religioso Antônio Conselheiro, como a obra original. Comprometida com a história da região, a produção envolve ao máximo a população local, tendo Grace Passô (“Nosso Segredo”) como a única atriz/ator profissional na voz da narradora.
“‘Os Sertões’ é crucial para a reflexão sobre a identidade brasileira, mas o conflito entre sertanejos e soldados republicanos é também representativo de todo o gênero humano”, explica o diretor. “Vamos universalizar o mundo de ‘Os Sertões’, mas reitero também meu compromisso de me manter fiel a Canudos e à sua população. Ao final do processo, a ideia é ter um filme sobre literatura, o retrato de uma comunidade e um modesto tratado sobre o comportamento humano”.
Levar uma obra tão relevante da literatura brasileira para os cinemas é uma responsabilidade e tanto, e as produtoras Mariana Ferraz, da Matizar Filmes, e Tatiana Leite, da Bubbles Project, falam sobre isso.
“É um enorme orgulho produzir um filme de Miguel Gomes, um diretor que admiramos profundamente, assim como revisitar ‘Os Sertões’, uma obra fundadora da cultura brasileira”, afirma Mariana Ferraz, Diretora Executiva da Matizar Filmes. “Fazer esse filme em Canudos, com as pessoas que vivem ali, é uma experiência muito especial. É uma história brasileira que carrega questões universais e nos permite olhar e compreender melhor o Brasil e o mundo de hoje”.
Já Tatiana Leite, fundadora da Bubbles Project, acrescenta que “o cinema de Miguel Gomes ocupa um lugar singular no cinema contemporâneo por reinventar as formas de narrar e misturar realidade e imaginação, documentário e ficção, passado e presente”. “Me pego já vislumbrando um filme que combine história, literatura e cultura popular com liberdade formal, inventiva e política ao mesmo tempo com sensibilidade, e sobretudo que promova uma revisita a algo tão profundo e marcante na história do nosso país”.


