seg, 27 julho 2026

Crítica | Pequenas Criaturas

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O cinema brasileiro novamente se utiliza da ditadura como pano de fundo para a construção de história envolvendo seus personagens. No caso, após o fim da ditadura, acompanhamos nossos protagonistas perdidos e tentando se adaptar com o novo lugar, nova vida, novos desafios.

Pequenas Criaturas é um drama brasileiro dirigido por Anne Pinheiro Guimarães, estrelado por Carolina Dieckmann, Théo Medon e Lorenzo Mello. O filme acompanha Helena e seus dois filhos recém-mudados para Brasília em 1986, que enfrentam a solidão e o isolamento após o marido viajar a negócios. O filme consegue criar um clima onde seus personagens representam tanto na imagem quanto no sentimento algo parecido com um inseto. Um mundo tão gigante com que a imagem constrói eles apequenados e perdidos.

E a divisão dos sentimentos entre os personagens é interessante. Enquanto o peso maior fica por conta da mãe Helena e se virando para cuidar dos dois filhos na ausência do pai. Já os dois meninos que deveriam se cuidar entre eles, mas representam outra barreira ao longo do filme. Enquanto um tenta sair dessa solidão, o outro já tenta usar a imaginação para preencher seu tempo e ansiedade.

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E aos poucos o filme desenvolve aquele ambiente para ser mesclado com seus protagonistas. Ele cria um Coming of Age com seus meninos e trabalha tentativas de amadurecimento entre seus personagens. E nessas trocas de várias histórias o filme se perde um pouco justamente por não ter um traçado certo de sua história, é importante saber que ele busca várias camadas entre aqueles personagens, mas um vazio que o filme passa acaba que ultrapassando esse limite justamente por não dizer tanto quanto gostaria.

E um carisma que salva em Pequenas Criaturas é justamente do filho mais novo, Dudu. Enquanto os personagens de apoio, os vizinhos daquele prédio ajudam e trazem uma leveza para uma situação tão sufocante com aquela solidão dos protsgonistas. A diretora Anne Pinheiro Guimarães busca esse cinema mais reflexivo e contemplativo, e o resultado é interessante e honesto com a proposta e temas interessante que aborda, mesmo que em alguns momentos possa passar um tanto vazio.

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