
Ponto Sem Retorno acompanha Hig (Jacob Elordi), um piloto que sobreviveu a uma pandemia global de gripe que dizimou a humanidade. Isolar-se em um hangar no Colorado com seu cachorro e um ex-fuzileiro (Josh Brolin), sua rotina muda ao captar uma misteriosa transmissão de rádio.
O suspense de ficção científica conta com a direção de Ridley Scott (Gladiador 2), um elenco estrelar e uma trama baseada em um livro best-seller. Com isso, a expectativa é grande. Pena que a realidade não condiz com o que esperamos. A produção não é ruim, mas fica abaixo do que qualquer espectador espera.

Scott segue mostrando competência em filmar suas cenas, as paisagens e ambientes apresentados são grandiosos e a fotografia deslumbrante, nos fazendo perceber o tamanho do problema que o protagonista enfrenta diariamente. O problema é que esteticamente a produção é muito boa, narrativamente não podemos dizer o mesmo. O protagonista vive num mundo, onde o seu “mundo” (entenda como família) foi dizimada não restando a ele nada a não ser a companhia de seu cachorro e de um “vizinho” armado até os dentes, com quem ele não tem uma relação muito amistosa. Mas nada acontece durante os 118 minutos de duração e quando acontece, tudo se resolve rapidamente e sem gerar tensão. A cena que acontece no aeroporto, se tiver 10 minutos de duração é muito.
Invés de contemplar cenas de ação ou as consequências da misteriosa pandemia ou ainda o suspense por trás de determinadas ações dos personagens, o roteiro assinado pela dupla Mark L. Smith (Indomável) e Christopher Wilkinson (Nixon) opta por analisar a existência e o sentido da vida após perder quem você ama. Algo que não é errado, mas poderia ser melhor desenvolvido e trabalhado.

As atuações são corretas. Josh Brolin (Vingadores: Ultimato) atua no modo turrão com boas intenções. Margaret Qualley (Honey, Não!) até melhora a trama quando surge em cena. Porém é Jacob Elordi (Euphoria) que tem a missão de carregar o filme, mas ele surge com uma atuação que beira o aborrecimento, tendo em qualquer situação a mesma expressão, o que não faz o espector criar um vínculo com sua história e seu drama.
Ponto Sem Retorno acaba sendo uma viagem a lugar nenhum sobre um homem destruído pela perda. Ao acompanhar essa jornada, resta ao espectador admirar as belas paisagens enquanto tenta entender as motivações de um homem (e de um mundo) em ruínas.


