sáb, 31 outubro 2026

Crítica | Love Kills

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Limitada pelo baixo orçamento do longa, a diretora se aproveita da decadência dos centros da capital paulista para criar um cenário sujo e solitário, transformando o espaço urbano da cidade de São Paulo no palco de um romance de terror vampiresco. É quase possível sentir os odores metropolitanos pungentes que impregnam as vielas escuras por onde se escondem as criaturas noturnas, vagando pelas sombras, à margem da sociedade. Assim como em The Lost Boys e Near Dark, os vampiros aqui se aproximam das classes excluídas, funcionando, inclusive, como metáfora bastante evidente sobre os relegados pela “civilização tradicional”.

Boa parte do filme se passa durante a noite paulistana, momento propício para a circulação dos monstros por entre as sombras da perigosa cidade. A iluminação é propositalmente precária, mesmo dentro da cafeteria, as luzes fracas parecem esconder algo. A principal exceção são os interiores das casas noturnas, com seus leds e vibrantes lâmpadas coloridas, que ilustram uma falsa sensação de luminosidade.  

A forma como a fotografia captura essa ambientação, faz com que São Paulo deixe de ser apenas um plano de fundo no qual a história se passa, e assuma um papel de personagem principal dentro da trama, sendo mais interessante observar o visual da cidade pelas lentes da cinegrafista do que propriamente acompanhar a narrativa em si. O conceito criado pela diretora e sua equipe de arte é subaproveitado em um filme demasiadamente focado em dramas mornos, repletos de reviravoltas confusas e pouco inspiradas. Visual e sensorialmente o projeto funciona e, tivesse abraçado de vez esse lado, teria tudo para ser uma experiência cinematográfica satisfatória.

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São os diálogos excessivamente expositivos, uma infinidade de personagens secundários com subtramas não desenvolvidas e um final interminável – algo, infelizmente, cada vez mais comum no cinema, em geral – que comprometem a conexão com a obra, cujo maior pecado é insistir tanto em uma estrutura “tradicional”, ao invés de explorar melhor a ambiência.  

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Raíssa Sanches
Raíssa Sancheshttp://estacaonerd.com
Formada em direito e apaixonada por cinema
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