A primeira edição do Festival AnimaMedo chegou ao fim na última sexta-feira (09), no Cinema da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), após dois dias de programação gratuita dedicada à animação de terror. O encerramento contou com sessões de curtas-metragens nacionais e internacionais, premiação e um debate sobre as possibilidades do stop-motion no cinema de gênero.

Pela manhã, a sessão Meu Medinho reuniu crianças para a exibição de Além da Lenda (2022), dirigido por Marília Mafé e Marcos França. Primeiro longa-metragem de animação produzido em Pernambuco na história, o filme apresenta personagens do folclore brasileiro, como o Saci e a Cuca, em uma aventura voltada ao público infantil.
Durante a tarde, duas sessões reuniram 17 curtas-metragens de animação de terror, passando por clássicos brasileiros, produções internacionais e obras nacionais contemporâneas. Entre os filmes exibidos estiveram Alma (2009), Desirella (2004), RED (2012), Geist (2015) e A Noite da Lua de Sangue (2025).

O troféu Perna Cabeluda de melhor curta-metragem nacional foi entregue a Bruno H. Barros, diretor de A Noite da Lua de Sangue. Estudante do primeiro período de Cinema e Audiovisual da UFPE, Bruno conta que é apaixonado por animações de terror desde criança e buscou inspiração em suas próprias experiências no interior pernambucano.
“Eu me inspirei muito na situação que eu vivo no interior, com o curta passando no meio rural”, explicou o diretor. “A história é inspirada nas memórias que o meu avô me contava sobre lobisomens e usei essa narrativa para tentar representar a destruição que vem acontecendo no interior do Nordeste.”

A programação também contou com uma sessão especial dedicada aos cineastas catalães Marc Riba e Anna Solanas, de Barcelona, fundadores da produtora I+G Stop Motion. A dupla, que trabalha em conjunto há mais de 15 anos, teve cinco curtas-metragens exibidos, explorando temáticas sombrias e profundas por meio da animação em stop-motion.
Após a homenagem, o público participou de um debate mediado por Rodrigo Carreiro, professor do curso de Cinema da UFPE, com a presença de Quéops Negronski, produtor, curador e pesquisador de cinema de gênero; Marila Cantuária, animadora e sócia da Produções Ordinária; e Maurício Nunes, animador e ilustrador. A conversa abordou as obras exibidas e as possibilidades criativas do stop-motion na construção de narrativas de terror.
Ao longo dos dois dias, o AnimaMedo reuniu exibições de longas e curtas-metragens, uma oficina e dois debates com profissionais e pesquisadores do audiovisual. Idealizador e curador do evento, Marcos Buccini destacou o desejo de transformar o festival em uma realização anual, buscando financiamento para garantir sua continuidade.
Com uma proposta inédita dedicada à relação entre animação e horror, a primeira edição do AnimaMedo abriu espaço para discussões sobre o cinema de gênero, as diferentes técnicas de animação e os desafios da produção animada brasileira, especialmente em Pernambuco.


