Crítica | Cowboy Bebop

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Situada no ano 2071, Cowboy Bebop conta a história de um grupo de caçadores de recompensa liderados pelo protagonista, Spike Spiegel, que viajam na espaçonave Bebop. O anime criado por Shinichiro Watanabe, é considerado por muitos uma das melhores produções já feitas e isso se deve muito a construção dos seus personagens principais e pelas análises que o anime faz sobre questões como: existencialismo, solidão e tédio. A Netflix, em 2021, resolveu fazer adaptação da obra em live-action e o resultado, infelizmente, não foi dos melhores.

Netflix / Divulgação

O anime original é um sci-fi que usa e abusa da melancólica, cinismo e de pequenas doses de humor para contar sua história. Além disso a produção ainda consegue dentro da sua história misturar a ficção científica com outros gêneros, como terror e comédia, sem perder o foco. E olhe que a trama era abordada por uma estética não linear, onde os episódios, em geral, não tem conexão um com os outros, o que tornava as histórias únicas. O live-action falha em reproduzir todos os elementos citados e consegue ser pior ainda ao realizar mudanças, que pouco acrescentam a história. Isso acontece pelo fato da produção querer à todo custo manter a estética do anime original intacta. NADA, funciona como deveria. O que deveria soar como homenagem, acaba se revelando como um exagero cartunesco sem precedentes, que carece de identidade própria.

O roteiro escrito por Keiko Nobumoto (roteirista original do anime), Christopher Yost (Max Steel), Jeff Pinkner (Venom) e Hajime Yatate faz algumas mudanças na história, que podem incomodar quem conhece o anime. A primeira temporada mistura arcos e muda tramas para que elas se encaixem e tenham conexão. Além de deixar um gancho para uma possível sequência (que pode não acontecer). Mudar a cronologia dos fatos não é problema, o problema é mudar personalidades, interações e descaracterizar a essência da obra. Afinal qual o intuito da adaptação? Homenagear? Usar como base para uma história própria? ou apenas repetir o que já foi feito? No fim quem sofre com essa indecisão da Netflix é o espectador que assiste uma trama insossa e pra lá de tediosa.

As cenas de ação, principalmente as de luta e os duelos espaciais, são de dar sono e fariam inveja aos trapalhões. Cada golpe é um corte. Pelo menos a montagem permite entender o que acontece em cena. Quando temos tiroteios, as coisas são melhores trabalhadas e temos mais veracidade nas situações. O episódio focado no assassino Pierrot Le Fou, é a pior coisa já feita pela Netflix. O personagem destoa de tudo apresentado e o que deveria ser um episódio de terror repleto de tensão é apenas uma situação ridícula e que dá muita vergonha.

Netflix / Divulgação

Os três primeiros episódios, mesmo com as mudanças feitas, são os melhores da temporada. Temos a apresentação do trio protagonista e do vilão. Além do uso de uma certa comicidade, mas depois disso e só ladeira abaixo. Quanto mais cresce a importância do vilão Vicious, pior a trama fica. Em especial pela construção do personagem que é pavorosa. O personagem é o mais destoante entre todos da série, para piorar temos Alex Hassell (The Boys) no papel e sua atuação é extremamente exagerada, o ator constrange ao fazer várias caras e bocas a todo momento. A caracterização do seu personagem não será comentada, mas já foram vistos na internet cosplay melhores. Outra que decepciona é a representação de Faye Valentine, vivida por Daniella Pineda (Jurassic World: Reino Ameaçado), mas aqui o problema não é a atriz, mas sim o roteiro que mudou a personagem é apresentada no primeiro episódio de modo totalmente desconexo, o que atrapalha muito a reviravolta que envolve a personagem. Pineda mesmo assim faz um bom trabalho com o que lhe é oferecido pelo roteiro. O grande destaque no quesito atuação é John Cho (Star Trek) que interpreta Spike Spiegel. O ator está incrível e consegue dar o tom certo na construção do personagem. O sarcasmo e sagacidade prepotente de Spike são apresentados na série, sem que isso soe uma imitação barata.

Nos aspectos técnicos a ambientação é feita de modo correto, mas causa menos impacto que a do anime. A variação de cenários é funcional. Não espere encontrar muitos detalhes, mas quando eles aparecem são bem feitos. A trilha sonora é boa e quando inserida melhora algumas cenas.

Netflix / Divulgação
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Cowboy Bebop é uma adaptação que não funciona como homenagem, nem como base para uma história própria. A indecisão de qual caminho seguir deixa um gosto amargo para os fãs do anime e talvez sirva apenas para apresentar a produção para algumas pessoas (o anime está disponível na plataforma). Como disse Faye Valentine uma vez: “A vida é apenas um ciclo com finais indesejados.” Uma segunda temporada dessa produção é a coisa mais indesejada no momento.

Revisão Crítica

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]

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