qui, 16 julho 2026

Crítica | Echoes of Aincrad

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Para qualquer fã que acompanhou a explosão de Sword Art Online em 2012, o arco de Aincrad é o “Santo Graal” da franquia. A tensão do jogo da morte, o isolamento e a escalada dos 100 andares compõem a atmosfera que todos queriam viver. Echoes of Aincrad chega com a promessa de ser um “reset” ambicioso na franquia SAO, tentando capturar essa essência nostálgica.

Contudo, entre a promessa de um mundo massivo e a realidade de um desenvolvimento limitado, fica a dúvida: estamos diante da adaptação definitiva ou de mais uma simulação com bugs fatais?

A Trama

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A maior vitória de Echoes of Aincrad é nos tirar da sombra de Kirito, um dos personagens principais de SAO. Aqui, o jogador cria seu próprio avatar. A narrativa começa de forma inteligente com o teste beta (um prólogo de cerca de 3 horas), onde usamos um personagem genérico. O pulo do gato acontece após o fatídico anúncio do Administrador na praça central: ele entrega um item especial que revela a “verdadeira face” de cada jogador, justificando tecnicamente a transição para o seu personagem customizado.

Viver essa “subtrama” pessoal enquanto os eventos canônicos do “Espadachim Negro” ocorrem ao fundo é um frescor necessário. É a chance de sentir que você, e não apenas o herói do anime, está lutando pela vida naquela armadilha virtual.

O título foca intensamente apenas nos dois primeiros andares de Aincrad. Para concluir essa história “contida”, você levará cerca de 28 horas. Embora a narrativa tente justificar esse ritmo lento como um retrato do “grind” desesperado pela sobrevivência, o design de mundo sofre.

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Há um paradoxo gritante aqui: o anime fala em 10.000 jogadores presos, mas os campos do jogo parecem desertos. São mapas vastos, porém sem vida, onde você encontra apenas alguns inimigos espalhados. A exploração fica devendo; o player basicamente corre em direção a marcadores de objetivo em um mundo que deveria ser vibrante, mas parece um servidor vazio de MMO.

Gameplay

O combate busca inspiração clara na cartilha da FromSoftware: gerenciamento de estamina, esquivas precisas e padrões de chefes protegidos por “névoas”. No entanto, a execução carece de polimento técnico. A sensação predominante é de uma ausência de peso preocupante. Independentemente da arma, parece que o personagem está golpeando o vácuo.

Além disso, o título se torna uma verdadeira bagunça ao enfrentar múltiplos inimigos. A mecânica simplesmente não foi desenhada para controle de multidão, transformando embates contra grupos em pesadelos de câmera e animações difíceis de ler. É um “Souls” acessível, mas que pode afastar puristas pela falta de impacto tátil.

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Para combater o vazio de Aincrad, o sistema de parceiros NPCs é um dos pontos altos. A IA é surpreendentemente competente, salvando o jogador com curas precisas e atraindo a atenção de chefes. Personagens como a informante Argo trazem um carisma que foge dos clichês, com motivações próprias e diálogos divertidos. Sem o suporte estratégico desses aliados, o combate contra chefes  seriam quase insuportável devido às falhas mecânicas mencionadas.

Onde o jogo realmente brilha e consegue prender é na progressão de dungeon crawler. São seis tipos de armas (espada e escudo, machado de duas mãos, adagas, etc.) com um sistema de proficiência que recompensa o uso contínuo.

Gráficos

Echoes of Aincrad é considerado o título visualmente mais ambicioso da franquia até hoje, utilizando uma técnica de cel shading que remete a jogos como Tales of Vesperia. O título oferece dois modos de imagem: o de Qualidade, que prioriza a resolução e mantém uma fluidez surpreendente (estimada entre 40 e 45 fps), e o de Desempenho, que estabiliza os 60 fps sem perdas drásticas de nitidez, mesmo em telas 4K. Apesar de ser um jogo “bonitinho”, ele ainda não alcança o refinamento gráfico de outras grandes produções de anime da Bandai Namco, como as das franquias Naruto, Dragon Ball ou Demon Slayer.

Os cenários de Aincrad, que abrangem florestas, planícies e masmorras, são bastante detalhados e demonstram um cuidado maior da desenvolvedora com a ambientação em comparação aos jogos anteriores. No entanto, essa beleza visual esbarra em mapas vastos vazios e sem vida. Essa característica cria uma sensação de “mundo morto”, onde o jogador atravessa grandes extensões de terreno com pouquíssimos inimigos ou elementos de descoberta, o que torna a exploração visualmente repetitiva e por vezes maçante.

Um dos problemas visuais mais críticos reside na inconsistência das animações, que alternam entre cutscenes bem executadas e movimentos extremamente robotizados. Essa falta de polimento técnico afeta diretamente a jogabilidade, pois a baixa qualidade das animações dos inimigos dificulta a leitura de seus padrões de ataque durante as batalhas. Além disso, embora o desempenho seja geralmente fluido, existem quedas na taxa de quadros em áreas muito povoadas.

Conclusão

Echoes of Aincrad (disponível para PS5, Xbox Series e PC, com rumores de uma versão para o sucessor do Switch no horizonte) é um game que se sustenta pelo seu nome. Ele acerta no tom sombrio e na nostalgia, e oferece um presente valioso para os entusiastas: a edição Deluxe inclui o filme original de duas horas, Sword Art Online: Uncharted Butterfly, que é um deleite visual para os fãs.

Contudo, como experiência de jogo pura, ele é um 6,5/10 (Bom). É um RPG de ação que apesar de desafiador e divertido, acaba tropeçando nas próprias pernas com um combate sem peso e um design de missões datado.

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Marcel Botelho
Marcel Botelhohttp://estacaonerd.com
Sou radialista, apresentador de televisão, colunista, redator e escritor, sou apaixonado pela área de comunicação e principalmente por games, desde a minha infância. Como editor e redator da área de games do Estação Nerd, espero levar até vocês muita informação e entretenimento com muita qualidade e alegria.
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