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    Crítica | Eduardo e Mônica

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    A canção Eduardo e Mônica, lançada em 1986, é um dos grandes sucessos da carreira da Legião Urbana e conquistou o coração do fãs, se tornando um “hino” de diversos casais apaixonados. A balada romântica virou filme e será lançada nos cinemas em 20 de Janeiro, contando como em um dia atípico, uma série de coincidências levaram Eduardo a conhecer Mônica em uma festa e como mesmo eles, não sendo nada parecidos, se apaixonaram perdidamente.

    O diretor René Sampaio (Faroeste Caboclo) usa como base a nostalgia da canção (e da banda) e adiciona diversos elementos históricos da década de 80 para contar uma história de amor que é apaixonante, mas também bastante realista. Com uma direção afiada e com cenas que trazem algumas metáforas visuais interessantes, como por exemplo a cena no Teatro Nacional Cláudio Santoro que é maravilhosa, o filme consegue mostrar que romantizar as diferenças é muito bonito, mas a realidade é muito mais complexa e, às vezes, cruel. O roteiro escrito por: Jessica Candal (Ferrugem), Michele Frantz (Mulher do Pai), Claudia Souto (Pega Pega) e Matheus Souza (Apenas o Fim) preenchem bem as lacunas deixadas pela canção de Renato Russo e passeiam com afinco por outros trechos da música, alguns de maneira sutil outros nem tanto, mas todos são apresentados de modo eficaz. Mas nem tudo é seguido à risca, nessa narrativa da obra e algumas mudanças são feitas de modo criativo pelo quarteto como, por exemplo: o “carinha do cursinho” que virou o melhor amigo de Eduardo e o motivo pelo qual Mônica estava bebendo um conhaque tão cedo. Na verdade todo arco criado envolta da persona de Mônica é muito positivo e enriquece a personagem. O mesmo não se pode dizer sobre o arco de Eduardo, que é apresentado de modo mais fiel a canção, com poucas alterações. O que não é um erro e nem prejudica a produção. Sampaio usa e abusa das elipses temporais para dar dinamicidade a história que começa nos meados dos anos 1980 e possui uma ótima reconstituição de época. Os cenários e figurinos vistos são perfeitos! Tudo relacionado a década retratada é reproduzido com perfeição. A fotografia é outro destaque do filme e o diretor usa muito bem Brasília como plano de fundo para essa história de amor. Além disso, ainda temos a uma ótima caracterização de Gabriel Leone (DOM), podemos ver o personagem dele amadurecer (fisicamente e emocionalmente) durante os 114 minutos de duração, que passam voando.

    Se existe alguma falha no filme, ela acontece no terço final da projeção que acelera a história não apresentando a conclusão da canção, seria excelente ver em tela os trechos finais que são apresentados de modo romantizado pela dupla, o que foge um pouco da proposta apresentada até o segundo ato, se tornando algo que pode agradar alguns e desagradar outros.


    Além dessa história de amor o filme ainda apresenta algumas referências sobre a Legião Urbana e suas canções, que farão a alegria dos fãs, outros temas abordados além do romance são questões sobre política e principalmente questões sobre amadurecimento, que é visto e explorado de modo convincente em ambos os personagens. Por falar em personagens, Alice Braga (O Esquadrão Suicida) e Gabriel Leone são apaixonantes em cena e a entrega de ambos merecia um prêmio. Leone convence no papel de um adolescente de 16 anos, cheio de inseguranças e que com o tempo amadurece. Já Braga nós apresenta uma Mônica repleta de dilemas, que é complexa e muito apaixonante.

    Esse é o filme perfeito para os fãs da Legião Urbana e para quem gosta de um bom romance. Assista e se apaixone, novamente, por Eduardo e Mônica.

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