Crítica | Judas e o Messias Negro

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O Partido dos Panteras Negras, originalmente denominado Partido Pantera Negra para Auto-defesa, foi uma organização urbana socialista revolucionária fundada por Bobby Seale e Huey Newton em outubro de 1966. Seus ideais estão mais vivos do que nunca na sociedade que vivemos e o filme Judas e o Messias Negro ajuda a contar um dos capítulos mais tristes da história do movimento, e por que não, dos Estados Unidos.

O diretor Shaka King (Mulignans) inicia o longa usando de cenas reais gravadas afim de mostrar ao público quem foram os Panteras Negras e o que eles defendiam. A proposta é interessante e bem executada já que nós aproxima dos personagens. Sem perder muito tempo a trama insere William O’Neal e já nos leva aos dias em que ele trabalhou com um dos seus principais líderes do movimento, Fred Hampton. Esse talvez seja o único ponto negativo do filme: Ritmo! Em alguns pontos o longa corre freneticamente, enquanto que em outros a história demora a se desenvolver. No mais, o filme é brilhante naquilo que se propõem: apresentar as razões pela qual O’Neal traiu Hampton e mostrar as consequências disso em suas vidas, além de nos fazer refletir.

A ambientação dos anos 1960 é excelente e a direção de arte, junto com o figurino, devem ser indicados ao Oscar, pois são sensacionais e fazem o espectador entrar de cabeça na história. A fotografia também merece destaque; o uso de tons amarelados nas cenas de dia e de tons levemente escuros em algumas cenas noturnas mostram como era a tensão no dia a dia. O roteiro do diretor em parceria com o estreante Will Berson mostra que apenas palavras não bastam numa revolução. Entre ações e discursos, às vezes e necessário lutar contra o sistema. O longa ainda faz algumas referências a diversas situações e figuras históricas, entre elas se destaca uma cena (real) que também foi mostrada em Os 7 de Chicago.

No quesito atuação Daniel Kaluuya (Pantera Negra) e Lakeith Stanfield (Entre Facas e Segredos), brilham em seus papéis. Ambos atuam como contrapontos um do outro em suas performances, o Hampton de Kaluuya é um líder, um orador nato e de caráter inabalável. Já o O’Neal é um covarde e age quase como um submisso aos desejos do FBI, mas no fundo vemos que ele não é mau. É apenas um homem perdido e com medo, vemos isso em diversas cenas do filme e na excelente atuação de Stanfield. Será uma injustiça se ambos os atores não forem indicados aos prêmios de melhores atores nesse ano de 2021. Jesse Plemons (Breaking Bad) também é outro destaque neste longa monumental.

Judas e o Messias Negro é um longa impactante, que possui atuações viscerais de dois incríveis atores e que nós mostra como é importante olhar para o passado para não repetir os erros no futuro. Mesmo após 50 anos do fato retratado, as palavras de Hampton ainda ecoam… E após esse filme, elas vão ecoar mais alto do que nunca.

Revisão Crítica

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]

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