Poucas séries envelhecem tão confortavelmente quanto Trying. A quinta temporada confirma que a Apple TV ainda guarda ali sua comédia mais charmosa, e que continua sendo assim sem precisar forçar a mão pra provar nada a ninguém.
Nikki e Jason (Esther Smith e Rafe Spall) estão mais perto da meia-idade do que da juventude turbulenta que a série nem chegou a mostrar direito, criando os adolescentes Princess (Scarlett Rayner) e Tyler (Cooper Turner) do jeito que sempre soubemos que fariam: com insegurança genuína e preocupação excessiva por qualquer detalhe. A presença cada vez maior da mãe biológica dos dois, Kat (Charlotte Riley), seria combustível suficiente pra transformar qualquer sitcom numa coleção de mal-entendidos e crises intermináveis. Trying faz o contrário. Resolve essa tensão cedo e deixa o restante da temporada respirar.

O que sustenta tudo é a dinâmica entre os dois protagonistas, que se recusa teimosamente aos clichês mais batidos do gênero: ela não é a esposa exausta carregando todo o peso emocional da relação, ele não é o marido charmoso e irresponsável que precisa ser salvo o tempo inteiro. Nikki é ansiosa e impulsiva, mas tem uma espinha dorsal de aço quando alguém que ama está em risco. Jason parece relaxado até demais, escondendo sob a leveza uma vontade sincera de cuidar das pessoas ao redor. A série flerta com o piegas o tempo inteiro, chega perto da beira e recua no momento certo porque entende que sinceridade e sentimentalismo não são a mesma coisa.
Scott (Darren Boyd) continua sendo a melhor prova de que Trying nunca trata seus coadjuvantes como escada pros protagonistas. Nesta temporada ele resolve atravessar o Atlântico remando sozinho — uma ideia tão ruim quanto parece. O roteiro transforma esse absurdo numa das histórias mais engraçadas do ano sem reduzir Scott a uma piada ambulante, porque ninguém aqui existe apenas para empurrar a jornada de Nikki e Jason.

O elenco de apoio perdeu alguns rostos marcantes ao longo dos anos, e a vida de Nikki e Jason já não vive sob a ameaça constante dos tribunais ou do processo de adoção. Isso naturalmente diminui o conflito. Mas Trying entende que felicidade também pode render boa televisão. Depois de tantas temporadas lutando pra formar uma família, faz sentido que esses personagens finalmente tenham permissão pra simplesmente viver.
Há séries que parecem acreditar que toda nova temporada precisa aumentar o volume do conflito para justificar a própria existência. Trying segue pelo caminho oposto. Cresce porque confia que acompanhar gente boa vivendo a vida já é interessante o bastante. Cinco temporadas depois, continua sendo uma raridade — e uma das comédias mais generosas da televisão recente.


