
Em Verity, uma escritora chamada Lowen Ashleigh (Dakota Johnson) está à beira da ruína financeira quando uma oportunidade irrecusável cai em seu colo: trabalhar como ghostwriter da autora de sucesso Verity Crawford (Anne Hathaway) que, após um grave e misterioso acidente de carro, fica paralisada e impossibilitada de dar prosseguimento à sua obra sozinha. A convite do marido de Verity, Jeremy Crawford (Josh Hartnett), Lowen se muda temporariamente para a casa do casal com o objetivo de estudar e mergulhar mais profundamente nas ideias, anotações e mente da autora. Pronta para terminar os três últimos volumes da série bem-sucedida de Verity, a jovem Ashleigh acaba descobrindo que nem tudo é o que parece quando descobre um manuscrito escondido cujas passagens relatam revelações sobre o passado da família e a tragédia sofrida por Verity.
O roteiro de Nick Antosca (Candy), baseado no best-seller homônimo de Colleen Hoover, aposta suas fichas em uma premissa bastante convidativa para os fãs de suspense psicológico e até começa bem: o roteiro apresenta passagens fiéis do livro e introduz os personagens principais sem muita enrolação. Essa objetividade dá tempo para que o segundo ato da produção, centrado na casa do casal, tenha tempo para desenvolver o seu mistério. O problema surge devido a questões relacionadas ao elenco e também ao texto que tem pouco a oferecer nesse quesito, entregando um suspense erótico bem capenga.

Dakota Johnson (50 Tons de Cinza) é uma atriz de uma nota só e transmite uma apatia de dar dó. Todas as suas cenas ela está com a mesma expressão de desinteresse, sendo difícil o público se conectar a sua personagem. Josh Hartnett (Armadilha) faz um feijão com arroz, encarnando um personagem boa praça que tem algo a esconder. O destaque acaba sendo Anne Hathaway (A Odisseia) que mesmo tendo pouco tempo em tela, quando surge entrega algo interessante. Além disso, a produção usa e abusa de clichês do gênero para contar uma história, que tem elementos interessantes, mas que nunca os desenvolve de modo orgânico. As reviravoltas existem, mas são encaixadas de qualquer jeito e a tensão é diluída com o tempo. Nunca fica claro, o motivo da obsessão da personagem de Johnson pela personagem de Hathaway. O que é uma pena, pois os elementos estão lá, só não foram bem trabalhados.
A direção de Michael Showalter (Uma Ideia de Você) até cria uma atmosfera intrigante e usa bem a fotografia para gerar tensão. Mas com o tempo nem esses elementos não dão conta de sustentar a proposta. O erotismo surge de forma forçada e pode gerar alguns suspiros mais pela beleza da interprete do que pela narrativa, o que querendo ou não é um ponto fraco e faz a produção perder pontos, em especial para aqueles que leram o livro.
Verity é um suspense que não está à altura do seu material base e nem do seu potencial. Mesmo tendo elementos suficientes para provocar tensão, as revelações que surgem em tela parecem estar mais interessadas em chocar do que em construir uma narrativa sólida dramática e envolvente. O que é decepcionante e bem frustrante.


