Crítica | Duna

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Duna é um cultuado romance do escritor Frank Herbert, que em 1984 foi adaptada para o cinema por David Lynch (Cidade dos Sonhos). O resultado da adaptação não foi muito positivo (nem nas críticas, nem nas bilheterias). Passados mais de 35 anos, Denis Villeneuve (Blade Runner 2049) resolveu recontar a história do livro de ficção científica mais vendido de todos os tempos. O filme conta a história de Paul Atreides, um jovem brilhante e talentoso, que deve viajar para o planeta mais perigoso do universo para garantir o futuro de sua família e do seu povo. 

O universo criado no romance de Herbert é composto de muitos mundos, de muitas casas galácticas e muitos conflitos de interesse. O roteiro escrito por Eric Roth (Ellis), Jon Spaihts (Prometheus) e pelo próprio Villeneuve, resume esse universo complexo em uma disputa entre duas casas (Atreides e Harkonnen), e também entre duas visões de mundo.

A obra deve ter uma sequência e esse primeiro capítulo serve como introdução para os principais personagens e histórias desse complexo universo, que possui muitas particularidades e nomenclaturas peculiares que são apresentadas sem muita cerimônia, sendo repetidas a esmo para que o espectador se acostume com essas designações. Outra característica do filme é que ele é harmonioso em sua narrativa. Alguns podem achar que o filme tem um desenvolvimento lento e que o último ato demora a chegar, mas tudo isso acompanha o desenvolvimento do arco do protagonista (que não será detalhado para não estragar o filme). Além disso, o roteiro possui como pilares centrais questões políticas, ecológicas e religiosas, sendo apenas essa última de fato aprofundada. As outras são apenas pinceladas ou são apresentadas como meros reflexos na personalidade, como por exemplo o maquiavelismo visto no vilão Harkonnen, vivido por Stellan Skarsgård (Chernobyl).

A montagem é o ponto fraco da película, tentando dar dinâmica a história, a produção aposta na mescla entre dois ou mais núcleos, que são intercalados de modo brusco, o que torna a narrativa confusa. Mas esse é o único ponto negativo, de resto Duna é espetacular! Tecnicamente a obra é maravilhosa; os efeitos especiais são incríveis, desde a criação das criaturas, até o CGI de fundo, tudo possui um grau de realismo absurdo. A fotografia é outro deleite e, em IMAX, todas as cenas se tornam épicas, em especial as que tem a trilha sonora de Hans Zimmer (Interstellar). As músicas compostas pelo maestro conseguem dar urgência e tons épicos a diversas cenas deste grandioso filme.

Por falar em grandioso, os cenários são riquíssimos de detalhes. Além disso, o diretor ao gravar suas cenas consegue transformar o planeta deserto de Arrakis em um personagem, cheio de mistérios e perigos. As cenas de ação são de cair o queixo, com destaque para a invasão que acontece no fim do segundo ato. Outros destaques são a maquiagem e os incríveis figurinos criados por Jacqueline West. As roupas de todos os personagens conseguem refletir com sobriedade os principais aspectos de cada casa apresentada.

O elenco é repleto de estrelas, e claro, os destaques da trama são Timothée Chalamet (Adoráveis Mulheres), que vive um protagonista que busca por sua própria identidade em meio a uma batalha de poder e Rebecca Ferguson (Caminhos da Memória) que convence no papel de mãe protetora, cheia de segredos. Além deles, Stellan Skarsgård tem poucas cenas, mas sempre surge ameaçador e usa bem sua linguagem corporal para isso. Zendaya (Euphoria) tem uma importância muito grande para a trama, mas sua personagem pouco é desenvolvida, fica assim a expectativa de sua participação na segunda parte.

Foto: Warner Bros./ Divulgação
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Deveria ser um crime federal não assistir Duna na tela grande de um cinema, se possível em IMAX. O filme é espetacularmente rico em detalhes e tecnicamente impecável! Assista o quanto antes e que a parte dois não demore muito a estrear. Ansiedade pela sequência é o que irá lhe definir ao fim da sessão.

Revisão Crítica

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]

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