Crítica | Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa

O ano de 2020 definitivamente é mulheres, no cinema! Nunca antes na história foram lançados tantos filmes (ainda são poucos) com protogonistas femininas. Só em janeiro tivemos: Ameaça Profunda, Adoráveis Mulheres e Frozen 2. Para aumentar essa lista temos Aves de Rapina, que conta a história de Arlequina, a vilã (anti-heroína) mais amada dos quadrinhos. A notícia boa é que o filme é mil vezes melhor que Esquadrão Suicida em todos os aspectos, a ruim… bom já já conto pra vocês.

Existem vários modos de contar uma história. Como já conhecemos a protagonista, o roteiro escrito por Christina Hodson (Bumblebee) optou pela decisão de ser absolutamente frenético! Isso seria legal se fosse bem executado, a história é contada sob o ponto de vista de Harley Quinn ligada no 220 volts, e não dá tempo de absorver quase nada de informação no primeiro ato. Outro fato que incomoda é que a história não é contada de modo linear, a narradora começa sua história por onde quer (ela deixa isso bem claro no início do filme) e volta pelo menos umas três vezes ao passado para resgatar alguma informação, o que faz com que a história perca um pouco de sentido num primeiro momento. Num resumo simples e objetivo podemos dizer que: Harley Quinn terminou com o Coringa e decidiu se aventurar com a Canário Negro, Caçadora e Renee Montoya para salvar a vida de uma garotinha do criminoso mais perigoso de Gotham City, o sádico Máscara Negra. Para completar Arlequina usa e abusa da quebra da quarta parede (algo visto em Deadpool 1 e 2) afim de corrigir algumas falhas da trama que devido ao seu ritmo alucinante quase se perde, mas no fim consegue concluir o objetivo de contar a aventura sem ter tantas pontas soltas.

A diretora Cathy Yan (Dead Pigs) volta a usar o mesmo grafismo despojado que basicamente poluiu o filme de David Ayer (Esquadrão Suicida), porém a diretora acerta o tom e faz o uso desse artificio de modo arrojado e bastante orgânico entre uma cena e outra, sem muitos atropelos e deve agradar, assim como a escolha da trilha sonora que encaixa perfeitamente nas cenas de ação dirigidas por ela. Porém nem tudo é perfeito, as cenas de ação são bem coreografadas, mas não empolgam tanto. Existe o uso de violência aqui e ali, mas nada muito sanguinário quando comparado a outras obras para maiores como Coringa e Logan. Entre as várias cenas de ação a melhor é a que ocorre dentro do departamento de polícia de Gotham, usando bastante cenas em câmera lenta e uma dose de violência que irá agradar o público. A fotografia é mega colorida e temos muitas cenas mostrando Gotham a luz do dia, porém no terceiro ato a paleta de cores é ofuscada pela baixa iluminação usada nas cenas finais, o que pode atrapalhar a experiência.


O elenco é esmagado pela presença de Margot Robbie (O Escândalo) no papel da protagonista, Robbie rouba todas as cenas na sua personagem está presente. Ella Jay Basco (Glimpse of Heaven), Jurnee Smollett-Bell (Full House), Mary Elizabeth Winstead (Projeto Gemini) e Rosie Perez (Faça a Coisa Certa) têm bom desempenho nos seus papéis, mas suas personagens quase não são desenvolvidas, apenas uma delas possui uma motivação diferente das demais. Em comum todas elas tem o fato de serem subjugadas pelos homens ao seu redor (trabalho ou vida pessoal). Nenhum homem na história presta, entre eles o vilão de Ewan Mcgregor (Doutor Sono) que é caricato e nenhuma de suas ações faz sentido, nem a razão pela qual ele usa a máscara possui algum sentido. Um vilão totalmente desperdiçado na trama.

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa é um filme que entretém nas suas quase duas horas de duração, possuindo defeitos e qualidades que o tornam um filme extremista: ou você irá amá-lo ou odiá-lo após a sessão. Nesta guerra dos sexos que o filme apresenta, escolha o seu lado e boa sessão.

OBS: O filme possui uma “cena pós-créditos”.

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios.

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